A NATUREZA DESIGUALITÁRIAS DAS REPRESENTAÇÕES COLETIVAS E A ILUSÃO DA COLETIVIDADE DURKHEIMIANA

José Sávio Leopoldi

Resumo


Nosso intuito é (re)discutir os conceitos de coletividade e de representações coletivas, que constituem importantes contribuições de Durkheim ao estabelecimento da sociologia como ciência. Se a construção daqueles elementos segundo o paradigma durkheimiano, mostra, por um lado, a importância da participação da coletividade naquela construção, por outro, acaba resultando na depreciação do papel do indivíduo, o que leva a uma distorção da “natureza” mesma da coletividade e das representações. Isso acontece porque os diferentes sujeitos acabam homogeneizados na elaboração daquelas instâncias, apesar de – na realidade – atuarem como participantes individualizados e necessariamente desigualitários nesse processo. Afinal, na dinâmica social, cada sujeito coloca em jogo suas representações individuais, seus desejos e seus interesses, de cujo confronto resulta que alguns contribuem de maneira mais decisiva para as construções coletivas. Dessa maneira, suas - com as modificações recebidas pela influência de outras representações individuais - se tornam as representações coletivas do contexto social considerado. Daí poder-se dizer que tanto a coletividade como as representações coletivas não atuam da mesma maneira e com a mesma força sobre todos os indivíduos: os mais “fortes” têm mais influência na construção do social e mais poder na vida em sociedade.


Palavras-chave


Durkheim, fato social, coletividade, representações coletivas, indivíduo

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