A COLONIALIDADE DO QUE SE COME: SOBRE PRODUÇÃO DE CARNE E CRISE AMBIENTAL

Marcos Hiath

Resumo


Desde a década de 1960 houve um aumento significativo do consumo de carne no mundo.  Este aumento ocorreu porque nações emergentes, sem tradição de ingestão desse alimento, passaram a adotar essa dieta. Em países como China, Índia e Coréia do Sul, por exemplo, o consumo de carne triplicou.  Subiu de 17 kg/ano para 50 kg/ano por pessoa. Um índice maior do que a média mundial que é de 46 kg/ano. Trata-se de um padrão típico de toda a Ásia atual.  Paralelamente, nos Estados Unidos e na União Européia os índices de produção de carne vêm caindo sem que haja a diminuição de seu consumo.  É neste contexto que o Brasil está quebrando recordes na exportação desse produto. Os maiores consumidores mundiais reconheceram que é melhor importar a carne brasileira e deixar os custos ambientais no território produtor. Isso porque a dinâmica utilizada para sustentar essa cadeia produtiva é devastadora do ponto de vista ambiental, social e ético. São as antigas estratégias de colonização sobre novas roupagens. O objetivo deste ensaio é explicar o motivo pelo qual o consumo de carne se tornou uma pratica generalizada na sociedade contemporânea e apresentar algumas conseqüências espaciais associadas ao suprimento dessa demanda. Para isso, foi feita uma análise dos significados atribuídos ao consumo de carne ao longo da história, paralelamente à discussão sobre a colonialidade da produção de carne no Brasil. Por isso, optou-se por um recorte histórico para apresentar a questão.

Palavras-chave


alimentação, colonialidade, ecologia.

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